Infanticídio

Aspectos médico-legais e jurídicos

 

 

CÓDIGO PENAL

                “art. 123 – Matar sob influencia do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após.”

Pena – detenção de 2 a 6 anos.

 

Durante o Parto

                Período que vai da ruptura das membranas até a expulsão do feto e da placenta.

 

Infanticídio durante o parto é raro. Há relatos de mães que mataram os filhos por contusão craniana, perfuração das fontanelas, esgorjamento ou decapitação.

 

Logo após o parto

                Imediatamente após o parto. Período que vai da expulsão do feto aos primeiros cuidados ao recém-nascido.

 

PUERPÉRIO

                Período que vai da expulsão da placenta até a involução total das alterações do organismo provocadas pela gravidez.

 

         ESTADO PUERPERAL

                        Diz-se, de forma discutível, das alterações psíquicas que acontecem a mulher no puerpério.

 

PERÍCIA

 

 

Infanticídio

 

Nati Morto = Feto nascente

 

Infante-nascido

Recém-nascido

 

}

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nascido vivo

 

Nati Morto – feto morto a partir de 500g ou com mais de 22 semanas.

 

Morte devido a anoxia anteparto, prematuridade e anomalias

 

Feto Nascente – apresenta todas as características do nascido vivo, com exceção ao fato de não ter respirado.

 

                As lesões causadoras de morte estão nas partes que se expuseram inicialmente e tem caracteres de lesão produzidas “in vitam”.

 

Infante nascido – é aquele que nasceu, respirou mas não recebeu cuidado algum.

 

Ludo do recém-nascido, decorrente ao trabalho de parto, que involui me cerca de 24/36 horas. Também chamado de (Caput Succedaneum).

 

- Presença de mecônio: substância untuosa de coloração verde-escura, encontrada no intestino de infantes que pode estar presente em caso de sofrimento fetal.

 

- respiração – só é infante nascido quem respirou.

 

RECÉM-NASCIDO: Possui vestígios comprobatórios da vida extra-uterina. Vão dos cuidados iniciais ao 7 dia.

 

PROVA DE VIDA EXTRA-UTERINA

                   Através da comprovação da respiração pelas docimásias.

 

Docimásias diafragmáticas de Ploquet – pela observação das cúpulas diafragmáticas.

 

Se respirou – diafragma horizontalizado.

Se não respirou – diafragma convexo.

 

 

Docimásia óptica ou visual de Bouchut – inspeção visual.

 

Se respirou – aspecto areado, mosaico alveolar.

Se não respirou – aspecto hepatizado.

 

 

Docimásia táctil de Nério Rojas – sensação tátil.

 

Se respirou – crepitação, consistência esponjosa.

Se não respirou – consistência carnosa.

 

 

 

 

Docimásia ótica de Icard – coloca-se um fragmento de pulmão entre duas laminas de microscopia.

 

Se respirou – fragmentos misturados a bolhas de ar

Se não respirou – fragmentos sem bolhas.

 

 

Docimásias radiológicas de Bordas – maior opacidade ao RX do Pulmão que não respirou.

Se respirou – observa-se a silhueta cardíaca e diafragmas.

Se não respirou – somente o pulmão hepatizado.

 

 

DOCIMÁSIA HIDROSTÁTICA DE GALENO

        Baseia-se na densidade pulmonar.

 

O pulmão que ainda não respirou possui densidade maior que água, de forma contrária ao que respirou, que possui densidade menor.

 

Prova em 4 fases:

 

 

Fase 1

        Coloca-se em água, o bloco do sistema respiratório (pulmões, traquéia e laringe).

 

Se flutua – resposta positiva (respirou), possui ar nos pulmões

Se não afunda – continua-se com o exame, fase seguinte.

 

 

Fase 2

        Separam-se os pulmões do restante do trato respiratório no fundo do recipiente.

 

Se flutua – resposta positiva (respirou), possui ar nos pulmões.

Se mantêm no fundo – continua-se com o exame, fase seguinte.

 

 

 

Fase 3

        Fragmenta-se o pulmão dentro do recipiente

 

Se flutua – resposta positiva (respirou), possui ar nos pulmões.

Se mantêm no fundo – continua-se com o exame, fase seguinte.

 

 

 

 

 

Fase 4

        Esmaga-se entre os dedos fragmentos que estão no fundo.

 

Se soltam bolhas – resposta positiva.

Se não soltam bolhas – negativo.

 

 

RESULTADOS DA PROVA DE GALENO

 

Fases 1,2 e 3 positivas = houve respiração = nasceu com vida

 

Fase 4 – positiva = duvidosa.

 

Fase 4 – negativa = não houve respiração.

 

                Validade somente nas primeiras 24 horas após a morte. Invalidade após devido a putrefação cadavérica.

 

Causa Jurídica da Morte

 

Natural – afasta a hipótese de infanticídio

 

ACIDENTAIS

        Antes do parto – traumatismo direito sobre o ventre materno

        Durante o parto – asfixia pelo cordão umbilical, compressão da cabeça fetal em pelves estreitas.

        Após o parto – hemorragias de cordão.

 

CAUSAS CRIMINOSAS

        Possibilidade por quase todas as formas de energia

Ação contundente, perfuro-contundente, cortante, corto-contundente, sufocação e etc...

 

ESTADO PSIQUICO DA PARTURIENTE

        Para configurar o delito deve ser a mulher a portadora de grave perturbação psíquica chamada estado puerperal

 

        O parto não leva a transtornos psíquicos graves , podendo  haver um quadro de tristeza do parto (maternity blues).

 

Perícia – se o parto transcorreu de forma angustiante ou dolorosa.

 

-se a parturiente , cometido o crime , tentou esconder o cadáver.

-Se lembra do ocorrido ou não e se há simulação

-Se tem antecedentes psicóticos ou se há vestígios de debilidade.

 

 

Exame de parto pregresso

                Exame da mãe , que deverá mostrar: